I Fórum de Águas Interiores: Brasil dá o primeiro passo rumo ao protagonismo da economia dos rios
Parceria entre Marinha e Cluster dos Rios reúne autoridades civis, militares e diplomáticas em Brasília para debater o futuro da navegação fluvial
Brasília (DF) — O Brasil deu um passo histórico na consolidação da chamada mentalidade fluvial. Em 28 de julho de 2026, o Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil — o Cluster dos Rios — e a Diretoria-Geral de Navegação (DGN), órgão de direção setorial da Marinha do Brasil, realizaram, em parceria, o I Fórum das Águas Interiores. Integrante do ciclo Horizontes da Economia Azul, coordenado pela Secretaria-Geral da Marinha (SGM), o evento transformou a capital federal no centro de gravidade das discussões sobre desenvolvimento sustentável, inovação tecnológica e integração regional a partir dos rios brasileiros.
Coube ao Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos, Diretor-Geral de Navegação, que presidiu o Fórum, apresentar aos presentes o entendimento da Alta Administração Naval sobre a temática da navegação interior, destacando que o evento integra o ciclo Horizontes da Economia Azul, coordenado pela Secretaria-Geral da Marinha, e reafirmando o compromisso da Força Naval com o fortalecimento estratégico das hidrovias do Brasil.
Abertura solene reúne autoridades civis, militares e diplomáticas
A mesa de abertura foi composta pelo Vice-Almirante Rogério Rodrigues, Comandante do 7º Distrito Naval; pelo Secretário Nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério dos Portos e Aeroportos, Otto Burlier; pelo Almirante de Esquadra Flávio Rocha, Diretor-Presidente do Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, um dos anfitriões do evento; e pelo Vice-Almirante Silva Lima, Diretor da ANTAQ.
Prestigiaram o Fórum os embaixadores do Paraguai, Juan Delgadillo, e do Uruguai, Rodolfo Nin; o Conselheiro da Embaixada da Argentina, Fernando Mouron; o Almirante de Esquadra Silva Rodrigues; o Vice-Almirante André Macedo, Diretor de Portos e Costas; o Almirante Murillo Barbosa, Diretor-Presidente da ATP; o Almirante Walter da Silva, ex-Diretor-Presidente e fundador do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro; e o Almirante Carlos Seixas, atual presidente da entidade carioca.
A audiência foi qualificada, com ampla presença de representantes de entidades civis e da iniciativa privada, entre eles integrantes do Ministério Público de Contas, ex-dirigentes da Agência Nacional de Águas (ANA), empresas do setor de serviços navais e ambientais, presidentes das Sociedades Amigas da Marinha (SOAMAR) de diversos estados do país, representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além de dirigentes da PIANC Internacional, da PIANC Brasil e do Centro de Navegação Rio-Grandense.
Um Fórum para transformar o potencial hídrico brasileiro
O propósito do encontro, fruto da parceria entre a DGN e o Cluster dos Rios, foi claro: conectar operadores, construtores, prestadores de serviço, academia, poder público e investidores para converter o potencial dos rios, lagos e lagoas brasileiros em desenvolvimento econômico, ambiental e social, estimulando a exploração sustentável da navegação interior e fortalecendo a mentalidade fluvial no país. A programação foi dividida em mesa de abertura e dois painéis temáticos, sendo o primeiro sobre a importância da economia dos rios e o segundo acerca da inovação e tecnologia na economia dos rios.
Painel 1: por que a Economia dos Rios importa
Moderado pelo Capitão de Mar e Guerra Plínio Brayner, especialista em hidrografia e consultor da Infra S.A. na modelagem de concessões hidroviárias dos rios Madeira, Paraguai e Tocantins, o painel reuniu o Almirante Murillo Barbosa, Diretor-Presidente da Associação de Terminais Privados (ATP) desde 2013, com 42 anos de serviço na Marinha e ex-Diretor da ANTAQ; Mariana Pescatori, Diretora-Executiva da Hidrovias do Brasil S.A., com cerca de 20 anos de experiência em infraestrutura, transportes e logística e ex-Secretária Nacional de Portos e Transportes Aquaviários; Henrique Ilha, Diretor de Meio Ambiente da Portos RS, oceanólogo com mestrado em Gerenciamento Costeiro Integrado; Adalberto Tokarski, Diretor-Presidente da Associação de Corredores de Exportação e ex-Diretor-Geral da ANTAQ, defensor histórico da desburocratização do setor; e o Capitão de Mar e Guerra Carvalhaes, Capitão dos Portos da Amazônia, que trouxe a realidade da maior bacia hidrográfica do mundo. Ao final do painel, o Almirante Sílvio Luís dos Santos realizou a entrega de lembranças aos painelistas e ao moderador.
Painel 2: inovação e tecnologia a serviço dos rios
Moderado pela Capitão de Mar e Guerra Luciana Carla Kwiatkoski Baumann Mendes, jornalista e Assessora de Comunicação Estratégica da Marinha, o segundo painel projetou o futuro da Economia dos Rios sob as lentes da tecnologia. Participaram o Almirante Walter da Silva, primeiro Diretor-Presidente e fundador do Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro, criado em 2019; o Prof. Dr. Eduardo Tannuri, titular da USP e Diretor do Tanque de Provas Numérico, com mais de 400 estudos em modelagem numérica para portos, hidrovias e campos offshore brasileiros; o Capitão de Mar e Guerra Alexsandro Azevedo, CEO da Salvage, com ampla experiência em segurança da navegação e gestão de riscos marítimo-portuários; Danielle Bernardes, Gerente Executiva da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), especialista em regulação e gestão portuária; e o Capitão de Mar e Guerra Alessandro, Capitão dos Portos de Minas Gerais, com mais de 30 anos de serviço naval. Ao fim do segundo painel, o Almirante Flávio Augusto Vianna Rocha realizou a entrega de lembranças aos painelistas e à moderadora, seguida de registro fotográfico e salva de palmas.
Encerramento: os rios como projeto de nação
Ao encerrar os trabalhos, o Almirante de Esquadra Flávio Rocha, Diretor-Presidente do Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil, destacou o saldo positivo do encontro: "Este I Fórum superou nossas expectativas. Reunimos, em um só ambiente, autoridades civis e militares, representantes diplomáticos, academia, setor público e setor privado, todos comprometidos com um mesmo propósito: transformar o potencial dos nossos rios em desenvolvimento real para o Brasil. Já anunciamos a segunda edição do Fórum das Águas Interiores para 2027. Até lá, os temas debatidos nesta primeira edição serão aprofundados no âmbito interno do Cluster e discutidos com os demais atores ligados à Economia dos Rios, para que possamos chegar ao próximo encontro com propostas ainda mais maduras e concretas", afirmou o almirante.
Mais do que um evento pontual, o Fórum inaugura uma agenda permanente de articulação entre os atores da Economia dos Rios.
Cluster dos Rios: o motor da Economia relacionada à navegação interior
O Cluster Naval de Águas Interiores do Brasil é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 16 de abril de 2026, com sede em Brasília (DF). Sua missão é fomentar e facilitar a interação estruturada entre pessoas jurídicas de direito público ou privado em torno do desenvolvimento do ambiente fluvial brasileiro, promovendo a navegabilidade, a pesquisa, a ciência, a tecnologia, a inovação, o empreendedorismo e a economia aplicados ao ambiente aquaviário interior. O Brasil detém 12% de toda a água doce superficial do planeta e reúne hidrovias estratégicas como Amazonas, Madeira, Paraná-Paraguai, Tietê-Paraná, Tocantins-Araguaia, São Francisco, Teles Pires-Tapajós e Laguna Mirim-Lagoa dos Patos. Apesar dessa riqueza, a navegação fluvial ainda é pouco aproveitada, e o Cluster atua para mudar esse cenário, organizando sua atuação em cinco frentes estratégicas: conexão com o setor público, por meio da promoção de políticas públicas mais ágeis, seguras e alinhadas às necessidades do setor; inovação e sustentabilidade, com o estímulo a tecnologias limpas e à preservação ambiental como pilares de crescimento; capacitação, com o incentivo à formação de novos talentos em parceria com universidades e escolas técnicas; fomento a investimentos, por meio da aproximação com bancos de fomento e investidores; e integração setorial, com a realização de fóruns e encontros que promovem troca de experiências e geram novas parcerias. Fortalecer a navegação fluvial é mais do que uma iniciativa setorial: é um verdadeiro projeto de nação.